7 de abril de 2026

Desequilíbrio da microbiota intestinal é associado a alergia alimentar e asma, segundo nova revisão científica.

Uma nova revisão científica publicada no International Journal of Molecular Sciences destaca uma ideia emergente que os pesquisadores chamam de “eixo intestino-alergia”. Em termos simples: o que acontece no seu intestino pode influenciar a intensidade da sua reação a alérgenos.

O artigo se concentra na SIBO (Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado) — uma condição na qual ocorre um acúmulo excessivo de bactérias no intestino delgado — e como ela pode estar ligada à asma, alergias alimentares e outras condições alérgicas.

Os pesquisadores descrevem como esse desequilíbrio bacteriano pode irritar o revestimento intestinal e desencadear sinais imunológicos que promovem inflamação do tipo alérgico. Quando a barreira intestinal é comprometida, o sistema imunológico pode se tornar mais reativo — essencialmente, diminuindo o limiar para respostas alérgicas.

A ligação parece ser mais forte na asma. A revisão constatou que a SIBO é mais comum em pessoas com asma, e alguns estudos sugerem que ela pode estar relacionada a sintomas mais graves. 
Há também relatos de que o tratamento da SIBO pode melhorar o controle da asma em certos pacientes, embora isso ainda não esteja comprovado de forma abrangente.

Existe também uma possível ligação com a síndrome de ativação mastocitária (MCAS), uma condição na qual as células alérgicas do corpo liberam substâncias químicas com muita facilidade. Alguns estudos citados na revisão constataram que o tratamento da SIBO estava associado à melhora dos sintomas em pessoas com MCAS — mas, novamente, as evidências ainda são limitadas.

Para alergias alimentares, a teoria se concentra no que é frequentemente chamado de "intestino permeável". Quando a barreira intestinal está enfraquecida, proteínas alimentares e subprodutos bacterianos podem passar para a corrente sanguínea com mais facilidade, potencialmente desencadeando o tipo de resposta imunológica que causa reações alérgicas. Embora esse mecanismo faça sentido biologicamente, os pesquisadores enfatizam que são necessários mais dados para entender o quanto a SIBO realmente influencia o risco ou a gravidade das alergias alimentares no mundo real.

A ligação é menos convincente para urticária crônica. O tratamento da SIBO (supercrescimento bacteriano no intestino delgado) não tem melhorado os sintomas de forma consistente, e outros fatores relacionados ao intestino — como a infecção por H. pylori — podem ser mais importantes nesses casos.

Em resumo: os pesquisadores acreditam que o eixo intestino-alergia é real e merece ser explorado, mas ainda não é uma via comprovada que os médicos possam usar como alvo de tratamento confiável. Por enquanto, permanece uma área promissora de pesquisa, e não uma abordagem padrão para o controle de alergias. 

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"Tradução livre do orginal da SnackSafely para propagar o conhecimento sobre Alergia."

Fontes: SnackSafely.com -  mdpi.com - drlucasmarques.com 

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